domingo, 30 de janeiro de 2011

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
"Martha Medeiros".
Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
- Você quer casar comigo?
Ele respondeu:
- NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, transou bastante, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela. O rapaz ficou barrigudo, careca, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.

(Luís Fernando Veríssimo)
A casa hj é minha só minha! ah que delícia...........

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar

Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz

Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz

Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra história é com vocês.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina
Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

"Sei que ainda me apego ao passado, mas por ego, mas tbém sei que se a gente não deixar pra trás muitas coisaws coisas, não enxergamos as novas e maravilhosas oportunidades que a vida nos dá!"
"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar." C.F.A

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ah eu não sou tão sublime assim, e nem tão forte assim, e além disso não preciso demonstar que sou tão forte mais, provar o que pra quem? Não preciso mais dessa máscara Graças a Deus, sim Graças a Deus sim, pq ele existe e eu não supliquei por ele nem por um minuto pra ele me ajudar a suportar uma dor insuportável, pelo contrário, inconscientemente falava Deus, se vc existe mesmo, eu não quero que apareça pra mim qdo eu estiver precisando de ajuda, não acho justo que as pessoas te procurem só qdo estão numa pior, porque assim vou achar que vc eh uma criação do homem pra sofrer menos, por isso numa crise fui me reconfortar com a minha mãe e uma amiga e elas me reconfortaram e sabia como tantas outras vezes que eu ia superar aquilo tudo ou achava que ia suportar, com as minhas proprias forças mundanas, eu já sabia dessa minha força, já tinha consciência que eu suportava, embora com dor muitassssssssss coisas, mas dai Deus mesmo, estando tudo quase bem, ou tudo voltando ao lugar, disse: "viu vou te revelar algo, algo do seu inconsciente, que vai te libertar dessa angustia interna de uma vida de 31 anos e assim me revelou", como quem não quer nada e me libertou, algo de dentro de mim mesmo, pois que sim, todos nós temos  algo dentro do inconsciente ou da alma, como queiram intitular,  que nos amarra e somente na hora certa, é que pode vir a tona. Deus foi como eu sempre imaginava que ele fosse, elegante e poderoso. Esse é o Deus que acredito.

o Abreu

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Existe sempre uma coisa Ausente - Caio F.

Paris — Toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.

Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.

Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.

Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.

Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.

Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo.

O Estado de S. Paulo, 3/4/1994

tá o Caio dispensa qualquer comentário.
Paris. # áhhhhh.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007


"Apenas já não somos mais crianças e desaprendemos a cantar. As cartas continuam queimando. Eu tentei pensar em Deus. Mas Deus morreu faz muito tempo. Talvez se tenha ido junto com o sol, com o calor. Pensei que talvez o sol, o calor e Deus pudessem voltar de repente, no momento exato em que a última chama se desfizer e alguém esboçar o primeiro gesto. Mas eles não voltaraão. Seria bonito, e as coisas bonitas já não acontecem mais."

"guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo."
(CFA)

Gente o que é este homem como ele escreve jesussssssssssssssssssss
comprei um livro dele ontem pela net: Caio Fernando Abreu, não vejo a hora de chegar....
e foram só dezoito dias...................................................